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Vista número 70: Fuji arreganhado
O tanoeiro utiliza o malho para encaixar a última tábua de um barril enquanto o monte Fuji se insinua em sua virilha, cena que evoca aquela em As 36 vistas do monte Fuji, onde a montanha sagrada se faz visível não acima, mas através do recipiente de madeira. Anos antes, Hokusai compusera um senryu 川柳 — poema bem-humorado curto, com dezessete sílabas divididas em três versos de 5-7-5 sílabas — que se encaixaria no contexto: 八の字の ふんばり強し 夏の富士 hachi no ji no funbari tsuyoshi
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2 de out.1 min de leitura


Vista número 69: Fuji e o sedex
Dois carteiros correm na escuridão que precede a alvorada. O quadro oficial de avisos, do tipo disposto em intervalos regulares por toda a extensão das cinquenta e três paradas da estrada Tokaido 東海道, implica estarem os indivíduos a serviço do xogunato, quem sabe trazendo documentos oficiais para a capital Edo 江戸. As cinquenta e três paradas da estrada Tokaido, que ligava Quioto a Edo. Era costume os profissionais trabalharem em duplas, o último encarregado do malote e o prim
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2 de out.1 min de leitura


Vista número 68: Fuji diplomata
A procissão da embaixada coreana, com um total de quase quinhentos integrantes, refreia o avanço para admirar a perfeição da montanha sagrada. A comitiva é embalada por uma animada banda, composta por um par de cornetas, dois bumbos, gongo e instrumento de cordas. Na margem oposta, três japoneses observam a marcha diante de uma placa sinalizadora de madeira e dois montes de areia, cujos formatos pontudos evocam o monte Fuji. Trata-se de uma imagem fantasiosa, afinal Hokusai j
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2 de out.1 min de leitura


Vista número 67: Fuji fugiu
Nuvens gordas de chuva se avolumam no firmamento e encobrem o monte Fuji. Mas, tudo bem, os viajantes são precavidos: um deles já está devidamente resguardado, enquanto o colega vasculha o cesto de vime à procura da capa de chuva restante. No promontório, uma pedra em formato de lápide entalhada com os ideogramas que compõem o nome Dosojin 道祖神, divindade ancestral xintoísta protetora dos caminhos, daqueles em trânsito — viajantes, peregrinos e artistas itinerantes — e, por ex
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2 de out.1 min de leitura


Vista número 66: Fuji bombeiro
Estamos em Edo 江戸, onde a prevenção contra incêndios era uma preocupação constante da população e do governo — visto parcela considerável das edificações se constituírem de madeira e papel, as chamas, quando alastradas, não raro consumiam distritos inteiros. Em decorrência, postos de vigília pontuavam a paisagem urbana. As escadas de mão eram afixadas nos telhados em intervalos regulares, com pequeno sinos nas extremidades para soar o alarme caso algum foco de incêndio fosse
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2 de out.1 min de leitura


Vista número 65: Fuji da vila elegante em Sunamura
O título da imagem permanece um mistério, afinal Sunamura 砂村, localizada nos arredores da capital Edo 江戸, era famosa pelo santuário consagrado a Hachiman 八幡神, divindade com elementos budistas e xintoístas vinculada ao arco-e-flecha e à guerra, protetora da classe samurai e da casa imperial. O inusitado santuário representado, todavia, é dedicado a um certo Fudo emergido das águas. A julgar pela figura entesourada em seu interior, presume-se que um pescador içou das profundeza
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27 de set.2 min de leitura


Vista número 64: friorento Fuji
Viajantes progridem em ritmo lento diante da neve intensa, tamanha que apaga seus traços faciais à exceção das ranhuras dos olhos. Este é um exemplo típico de xilogravura em que o efeito da composição depende em grande parte do bloco de madeira para a cor cinza, responsável pelos flocos de neve, o céu plúmbeo e o contraste na encosta da montanha sagrada. Título: Shinsetsu no Fuji 深雪の不二 Série: Fugaku hyakkei 富嶽百景 (c. 1849) Artista: Katsushika Hokusai 葛飾北斎 (1760-1849)
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24 de set.1 min de leitura


Vista número 63: Fuji lá de longe
Eis o famoso pinheiro-dos-monges nas encostas do monte Nantai 男体山, uma árvore impressionante com características de trepadeira, esparramada por quase um quilômetro de raio e chegando a atravessar vales. Os ascetas das montanhas yamabushi 山伏 costumavam percorrer sua extensão como parte componente do roteiro de práticas para alcançar disciplina e autocontrole. Meia dúzia de monges atravessa o pinheiro coberto de neve sob a supervisão do sujeito a assoprar uma concha. Em conjunt
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24 de set.1 min de leitura


Vista número 62: ippon
Conhecedores de sumô 相撲 talvez reconheçam o embate em questão mediante a manobra apresentada, em que o lutador projetado no ar pela tanga fundoshi 褌 utiliza a perna direita como gancho para envolver a panturrilha esquerda do adversário. Trata-se da famosa luta descrita no início de Soga monogatari 曽我物語, Narrativas de Soga, romance de vingança épico reencenado nos palcos do teatro cabúqui 歌舞伎 e representado nas xilogravuras de ukiyo-e 浮世絵, cujo enredo é centrado em Soga Juro S
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23 de set.1 min de leitura


Prefácio do volume 3
Se As cem vistas do monte Fuji 百富士 [publicado em 1767] de Kawamura Minsetsu 河村岷雪 são ortodoxas, em proporção inversa são excêntricas as de Hokusai. Avançado em anos, porém ainda vigoroso, alcançou o admirável feito de injetar vida a um Fuji de nanquim e papel, desvelando a montanha sagrada em todas as suas facetas. Uma conquista de fato extraordinária. Soube que Hokusai recém ultrapassou a marca de nove décadas de vida e que, não obstante, sua visão e audição seguem idênticas
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23 de set.1 min de leitura


Colofão do volume 2
Os editores optaram por reutilizar o colofão do primeiro volume, atentos apenas em trocar a idade de Hokusai e o ano da publicação. Na primeira coluna, da direita para a esquerda, a assinatura do artista. 七十五齢 A idade de Hokusai à época, 76 anos. 前北斎為一改画狂老人卍筆 Zen Hokusai Iitsu aratame gakyo rojin Manji hitsu . Era corriqueiro Hokusai utilizar nomes que variavam de acordo com estilo, gênero, tutela ou mesmo motivos pessoais. Então, para situar o público, os editores costuma
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31 de dez. de 20252 min de leitura


Vista número 61: Fuji do vale
O segundo volume da série se encerra com quatro camponeses nas montanhas em busca de gravetos para lenha. O primeiro coleta água potável de uma fonte oculta nos interstícios da rocha enquanto o colega se senta para ajeitar as tiras da sandália. Exausta, a dupla restante termina a subida e finalmente poderá descansar dos pesados fardos às costas. De branco imaculado, o monte Fuji observa (e abençoa) a cena. Título: Tanima no Fuji 谷間の不二 Série: Fugaku hyakkei 富嶽百景 (1834) Artis
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31 de dez. de 20251 min de leitura


Vista número 60: Fuji da janela
A revoada de gansos selvagens acima dos galhos de pinheiro indica o final de mais um dia de outono. Sentado sobre uma almofada zabuton 座布団 diante da mesa baixa, tendo à direita os onipresentes acessórios dos fumantes de então, o sujeito se espreguiça satisfeito, os braços em posição que ecoa a forma do monte Fuji, o que possibilita ao perecível homem, mesmo que por segundos, espelhar a imortalidade da montanha. Para a cena, Hokusai buscou inspiração em Hyaku Fuji 百富士 , ver
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29 de dez. de 20251 min de leitura


Vista número 59: Fuji recortado
Na imagem, considerada sequência da anterior, samurais vassalos cuidam do preparo da refeição para os envolvidos na grande caçada patrocinada em 1193 pelo xógum Minamoto Yoritomo 源頼朝 (1147-1199). Atrás do quinteto, a retalhar o monte Fuji, uma cerca de bambu do tipo utilizado para circunscrever áreas de caça. A fogueira de labaredas (bastante) estilizadas ferve a água do imenso caldeirão encaixado entre as rochas, sobre o qual dois serviçais, auxiliados pelo colega, apoiam um
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29 de dez. de 20251 min de leitura


Vista número 58: Fuji armado e perigoso
Em 1193, o xógum Minamoto Yoritomo 源頼朝 (1147-1199), fundador do xogunato Kamakura 鎌倉幕府 (1192-1333), patrocina uma grande caçada. De acordo com Richard Gordon Smith em Clássicos japoneses sobrenaturais , es sas expedições de caça eram comuns, mais por motivo de aprimorar a capacidade de mobilização e organização dos homens do que por esporte. Eram exercícios que uniam os homens, e ensinavam como comandá-los tanto no mar como em terra. Também servia para fazer os homens reco
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27 de dez. de 20252 min de leitura


Vista número 57: poético Fuji
Yamabe Akahito 山部赤人 (700-736) é um dos gigantes da poesia clássica, notório ao ponto de pertencer ao seleto grupo dos sanjurokkasen 三十六歌仙 , trinta e seis poetas imortais do Japão. Sentado em uma almofada zabuton 座布団 , Akahito é tomado pela nostalgia da época em que visitou Kanto 関東地方 , a região ocidental da ilha principal Honshu 本州 , e compôs o seguinte waka 和歌 de trinta e uma sílabas, dividido em versos de 5-7-5-7-7 sílabas: 田子の浦に うち出でて見れば 白妙の 富士の高嶺に 雪は降りつつ Tago no ura
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27 de dez. de 20251 min de leitura


Leões chineses
Criaturas míticas dotadas de poderes sobrenaturais, os shishi 獅子 ou komainu 狛犬 costumam ser dispostos diante da entrada de santuários xintoístas e templos budistas. A tradição recomenda que um deles esteja com a boca aberta e o outro com a boca fechada, em conformidade com o conceito denominado a-un , em que a あ é o primeiro e un ん o último som do alfabeto japonês, metáfora para início e fim, luz e escuridão, nascimento e morte e todos os contrastes possíveis na dança cós
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19 de dez. de 20251 min de leitura


Vista número 56: friorento Fuji
Após uma noite de forte nevasca, amanheceu. O homem se esfalfa para desobstruir o caminho e, para tal, acumula o excesso de neve em uma forma que evoca o Fuji, onde uma par de cachorros se diverte. À direita, dois indivíduos agasalhados — um deles com calçados de madeira geta 下駄 de tamanco alto, ideais para a ocasião — observam o sujeito de chapéu bastante largo caminhar a duras penas, tendo nas mãos um balde e meia dúzia de garrafas de saquê, indício de calor em uma dia tão
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17 de dez. de 20251 min de leitura


Vista número 55: Fuji vira-lata
Uma vista de melancólica beleza. Oculta atrás dos galhos de salgueiro, a lua cheia faz resplandecer a superfície do lago, em contraste com a forma enegrecida do monte Fuji. Na faixa de terra ao lado da casa com teto de colmo, duas mulheres amaciam tecidos de algodão golpeando-os com utensílios de madeira kinuta 砧. Tratava-se de uma atividade feminina outonal que, não raro, avançava madrugada adentro, de modo a evitar o acúmulo de tarefas externas no rigoroso inverno. A imagem
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17 de dez. de 20251 min de leitura


Vista número 54: comportado sob a comporta
Não existem registros de comportas de madeira em Edo que se encaixem na cena aqui representada, o que torna plausível ser fruto da imaginação do artista. Esta é uma das poucas ocasiões em que o arranjo de Hokusai simplesmente não parece funcionar: a cachoeira que deságua da comporta, por exemplo, parece se derramar sobre a embarcação. É final de tarde, atestável pela forma enegrecida da montanha, e personagens diversos transitam pelo aclive, dentre eles um monge peregrino, ca
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16 de dez. de 20251 min de leitura
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