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Leões chineses

19 de dez. de 2025
1 min de leitura

Criaturas míticas dotadas de poderes sobrenaturais, os shishi 獅子 ou komainu 狛犬 costumam ser dispostos diante da entrada de santuários xintoístas e templos budistas. A tradição recomenda que um deles esteja com a boca aberta e o outro com a boca fechada, em conformidade com o conceito denominado a-un, em que a あ é o primeiro e un ん o último som do alfabeto japonês, metáfora para início e fim, luz e escuridão, nascimento e morte e todos os contrastes possíveis na dança cósmica da existência. A boca aberta ainda assusta e afugenta maus espíritos, enquanto a boca fechada protege e acalenta espíritos bons. O objeto esférico por vezes encontrado debaixo de uma das patas da criatura é a joia sagrada budista tama 玉, símbolo da radiante sabedoria que pulveriza as trevas da ignorância.

O primeiro shishi é fruto da parceria entre Katsushika Hokusai, que concebeu e rascunhou o bicho, e sua filha Katsushika Oi, responsável por sua finalização e também pela moldura de peônias coloridas. Reza a lenda que o komainu seria tão resistente quanto o tardígrado, porém vulnerável a uma pequena espécie de parasita que se entoca em sua pelagem. As peônias possuem propriedades repelentes à praga, razão pela qual os shishi habitam em campos repletos da flor, que os protegem e os mantêm saudáveis.

Imagem: Karashishi botan 唐獅子牡丹

Artistas: Katsushika Oi 葛飾応為 (c. 1800-1866) e Katsushika Hokusai 葛飾北斎 (1760-1849)

 

Imagem: Karashishi botan 唐獅子牡丹

Artista: Katsushika Hokusai 葛飾北斎 (1760-1849)

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