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Vista número 70: Fuji arreganhado

2 de out.
1 min de leitura

O tanoeiro utiliza o malho para encaixar a última tábua de um barril enquanto o monte Fuji se insinua em sua virilha, cena que evoca aquela em As 36 vistas do monte Fuji, onde a montanha sagrada se faz visível não acima, mas através do recipiente de madeira.

Anos antes, Hokusai compusera um senryu 川柳 — poema bem-humorado curto, com dezessete sílabas divididas em três versos de 5-7-5 sílabas — que se encaixaria no contexto:

 

八の字の

ふんばり強し

夏の富士

 

hachi no ji no

funbari tsuyoshi

natsu no Fuji

 

uma postura nítida

na forma de oito

o Fuji no verão

O ideograma oito 八 alude tanto às pernas abertas do tanoeiro como às encostas da montanha, que, no verão, se exibe despudorada, sem a cobertura da neve ou a proteção das nuvens. A imagem ainda evidencia o desejo do artista de, por vezes, espelhar o corpo humano com a forma do Fuji, no anseio irrealizável de incorporar o homem ao sagrado e torná-lo capaz de, mesmo que por um instante, compreender sua imaculada divindade.

Título: Matagi Fuji 跨キ不二

Série: Fugaku hyakkei 富嶽百景 (c. 1849)

Artista: Katsushika Hokusai 葛飾北斎 (1760-1849)

 

Título: Bishu Fujimigahara 尾州不二見原

Série: Fugaku sanjurokkei 富嶽三十六景 (c. 1830-1832)

Artista: Katsushika Hokusai 葛飾北斎 (1760-1849)

 

Título: Sochu no Fuji 窻中の不二

Série: Fugaku hyakkei 富嶽百景 (c. 1849)

Artista: Katsushika Hokusai 葛飾北斎 (1760-1849)

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