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Vista número 67: Fuji fugiu

2 de out.
1 min de leitura

Nuvens gordas de chuva se avolumam no firmamento e encobrem o monte Fuji. Mas, tudo bem, os viajantes são precavidos: um deles já está devidamente resguardado, enquanto o colega vasculha o cesto de vime à procura da capa de chuva restante.

No promontório, uma pedra em formato de lápide entalhada com os ideogramas que compõem o nome Dosojin 道祖神, divindade ancestral xintoísta protetora dos caminhos, daqueles em trânsito — viajantes, peregrinos e artistas itinerantes — e, por extensão, de indivíduos vivenciando alguma espécie de transição. Estátuas de Dosojin costumam ser dispostas nas margens de estradas, nos limites dos vilarejos, em passagens nas montanhas ou, no caso dos centros urbanos, em esquinas ou próximas a pontes.

No décimo quinto volume dos Hokusai mangá, existe uma imagem que pode ser considerada continuação da cena, em que a chuva desaba inclemente e a dupla se encontra protegida, além das capas impermeáveis, por chapéus.

Título: Donten no Fuji 曇天の不二

Série: Fugaku hyakkei 富嶽百景 (c. 1849)

Artista: Katsushika Hokusai 葛飾北斎 (1760-1849)

 

Série: Hokusai manga 北斎漫画十五編 (1878)

Artista: Katsushika Hokusai 葛飾北斎 (1760-1849)

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