Os deuses da felicidade conjugal


Eis a singela capa da publicação sacana no formato hanshibon 半紙本 (17 x 24 cm) Os Deuses da Felicidade Conjugal, que descreve a jornada de descoberta sexual de Osane, filha de um rico mercador, e sua melhor amiga Otsubi, filha de um comerciante arruinado, ambas com treze anos. Enquanto Otsubi logo aprende a manipular a sexualidade em benefício próprio, alcançando posição de destaque na sociedade, a inocente Osane tropica ladeira abaixo e termina os dias como prostituta de rua.

A arte erótica shunga 春画 foi produzida por artistas de ukiyo-e 浮世絵 entre os séculos 16 e 19. Sempre em grande demanda, era vendida como pão quente

— e a preços mais salgados. Podia ser comercializada avulsa ou, o que era mais frequente, em pequenas encadernações enpon 艶本 com doze xilogravuras, tradição que retrocedia ao antigo gênero da arte chinesa intitulado shunkyu higi ga 春宮秘戯画, imagens secretas do palácio da primavera. O shunga também era produzido em formato de pergaminho kakemono-e 掛け物絵 — que, apesar de popular, era dirigido a um público mais seleto, afinal demandava pintura individual, o que encarecia o valor final.


Imagem: Manpuku wagojin no hyoshi 萬福和合神の表紙 (1821)

Artista: Katsushika Hokusai 葛飾北斎 (1760-1849)


postagem em parceria com @pictures_of_the_floating_world

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