Eu que fiz!


Imagem dos anos 1830 para a série Cem Histórias de Fantasmas, o arroz-com-feijão do gênero yurei-zu 幽霊図, dedicado ao sobrenatural, publicada na mesma época de As Trinta e Seis Vistas do Monte Fuji 富嶽三十六景, série que consagrou o septuagenário Katsushika Hokusai. Por conta dos muitos projetos e da idade avançada, que comprometia seus movimentos, foram finalizadas apenas cinco das prometidas cem xilogravuras.

Olhamos para uma marota hannya 般若, demônios femininos que incorporam as almas das mulheres amaldiçoadas por sentimentos desenfreados de ciúme ou inveja. Costumam apresentar chifres pontudos, boca rasgada e olhos vidrados de Bozo. A diaba em questão segura na mão a cabeça de uma criança, a pele azulada atestando sua condição defunta. Como se precisasse. Alegre, a hannya aponta o sangue nas bochechas e cantos da boca: olha, degolei com os dentes!

A hannya é uma máscara bastante utilizada no teatro nô 能, onde é considerada uma entidade perigosa, letal até, mas também melancólica e atormentada. Complexa. Quando o ator olha fixo para frente, a máscara se mostra furiosa. É inclinar um tico para baixo e ela parece chorar, digna de dó.


Título: Warai hannya 笑い般若

Série: Hyaku monogatari 百物語 (c. 1830)

Artista: Katsushika Hokusai 葛飾北斎 (1760-1849)


postagem em parceria com @pictures_of_the_floating_world

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