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Tsuzoku Suikoden goketsu hyakuhachinin no hitori


O Shinpen suiko gaden 新編水滸画伝 escrito por Takizawa Bakin 滝沢馬琴 (1767-1849) e ilustrado por Katsushika Hokusai 葛飾北斎 (1760-1849) pavimentou o caminho para a representação visual do Suikoden em terras japonesas. Porém, embora transformado em best-seller, o que catapultou de fato os cento e oito delinquentes chineses a fenômeno cultural foi Tsuzoku Suikoden goketsu hyakuhachinin no hitori 通俗水滸傳濠傑百八人一個, Os populares cento e oito heróis do Suikoden, série publicada em 1827 e assinada por Utagawa Kuniyoshi 歌川国芳 (1798-1861).

Um dos grandes trunfos do Tsuzoku Suikoden se encontrava no formato — em vez de confinadas a livros, as xilogravuras agora eram comercializadas em pôsteres. O foco, por sua vez, não se concentrava no enredo, mas nos foras da lei, retratados congelados na típica expressão mie 見得 do teatro cabúqui 歌舞伎, em que o ator envesga os olhos e retorce um dos cantos da boca em momentos cruciais da peça.

Os responsáveis pela concepção da série permanecem um mistério. Há quem atribua ao editor Kagaya Kichibei 加賀屋吉兵衛, outros a Umeya Kakuju 梅屋鶴寿, amigo pessoal e mecenas de Kuniyoshi. São muitas as histórias que circundam Tsuzoku Suikoden, como supostas peregrinações de Kuniyoshi a templos budistas para observar estatuetas e, assim, inspirar-se na elaboração dos personagens. A série alavancou a carreira do artista, transformando-o de zé-ninguém a celebridade, com contratos para pintar os cento e oito vilões em lugares inusitados — cortinas curtas noren 暖簾 dispostas nas fachadas de estabelecimentos comerciais, por exemplo.

Tsuzoku Suikoden surgiu em um momento oportuno, em que se exaltava o espírito heroico dos citadinos e valores como virilidade, rebeldia e bravura. Se na narrativa clássica somente seis personagens possuíam tatuagens, agora quinze dos cento e oito bandidos ostentavam desenhos corporais, inclusive Kyumonryu Shishin 九紋龍史進, Shishin dos Nove Dragões.

As tatuagens, por sua vez, exibiam um conceito integrado, preenchidas em pelo menos dois tons, sobrepostos à pele como um traje. Kuniyoshi ainda acrescentou o segundo plano, um dos aspectos centrais e mais valorizados da tatuagem japonesa. De acessória, a tatuagem é alçada a elemento fundamental da composição, promovida de simples marca corporal a adorno contemporâneo da moda citadina da capital Edo 江戸.



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