Os 24 modelos de devoção filial

21 COCADA
a árvore prefere a inércia, mas o vento insiste em soprar
a pessoa quer ser boa aos pais, porém estes estão mortos
Yu Qianlou viveu na China durante o período das dinastias do norte e do sul (420-589 d.C.). Quis o destino que assumisse um importante cargo oficial subalterno ao governador de Jianling, porém, mal cumpriu dez dias na função, sentiu uma premonição. Coisa sobrenatural mesmo, de gelar a espinha e palpitar o coração.
“Estaria tudo bem na minha terra natal?”, ponderou. Filho dedicado que era, não titubeou: pediu demissão, montou no cavalo e disparou para casa. Ao chegar esbaforido, os receios foram confirmados: o pai fora acometido de doença grave. “Para precisar o prognóstico e as chances de recuperação, é necessário provar as fezes do paciente. Caso o sabor seja adocicado, trata-se de enfermidade séria. Caso seja amargo, é um mal passageiro”, declarou o médico. Yu Qianlou prontamente experimentou os excrementos e, para seu desalento, estes estavam açucarados.
Naquela noite, em desespero, o rapaz prostrou-se diante do altar familiar, acendeu um bastão de incenso e implorou aos deuses que o levassem no lugar do pai.
O ancião acabou por falecer, porém a postura de Yu Qianlou se tornou célebre, transformando-o num modelo de filho notável.
a bênção de um cargo governamental
abdicada em prol do pai enfermo
voltou-se ao norte e implorou aos deuses
minha vida pela dele, rogou ajoelhado
Imagem: Yukinro 庾黔婁
Série: Morokoshi nijushiko 唐土廾四孝 (1848)
Artista: Utagawa Kuniyoshi 歌川国芳 (1798-1861)




Comentários