Os 24 modelos de devoção filial

16 ESTOU AQUI
a árvore prefere a inércia, mas o vento insiste em soprar
a pessoa quer ser boa aos pais, porém estes estão mortos
Wang Pu era um filho exemplar que viveu no período chinês dos Três Reinos (220-280 d.C.). Sua mãe, que coisa, sentia cagaço de trovão. Destarte, bastava o céu se enegrecer para o garoto acorrer ao seu lado e acalmá-la.
Após o falecimento da genitora, Wang Pu optou por enterrá-la no cemitério próximo. Assim, sempre que uma tempestade se acercava precedida por relâmpagos, o rapaz urgia para o túmulo e, ajoelhado, abraçava a lápide com os olhos embotados. “Não se preocupe, mamãe, estou aqui.”
Adulto, Wang Pu se tornou pedagogo. Sempre que, nas aulas, deparava-se com algum texto consagrado a filhos dedicados, não continha a torrente de emoções e rompia em prantos. Testemunhas de tamanho pesar, seus alunos zelosamente retiravam dos livros didáticos quaisquer passagens que versassem sobre devoção filial.
Em suas lições, Wang Pu sempre enfatizava a necessidade de retribuir a dádiva da vida recebida dos pais enquanto estes ainda se encontram entre nós.
trovoadas que amedrontam
estou aqui, mamãe, não tema
gesto repetido no túmulo, sempre
ao escutar estampidos no céu

Imagem: Oho 王裒
Série: Morokoshi nijushiko 唐土廾四孝 (1848)
Artista: Utagawa Kuniyoshi 歌川国芳 (1798-1861)
Imagem: Oho 王裒
Série: Nijushiko doji kagami 二十四孝童子鑑 (1840)
Artista: Utagawa Kuniyoshi 歌川国芳 (1798-1861)




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