Os 24 modelos de devoção filial

12 ESTATUETAS LITIGIOSAS
a árvore prefere a inércia, mas o vento insiste em soprar
a pessoa quer ser boa aos pais, porém estes estão mortos
Aconteceu na dinastia Han (206 a.C.-220 d.C.) chinesa, época em que viveu Ding Lan, órfão de pai e mãe desde tenra idade, tragédia que o impossibilitou de praticar a devoção filial. Adulto, conferiu um grande cepo de madeira a um escultor e solicitou que este entalhasse as imagens dos pais, cujas estatuetas foram dispostas em seu altar doméstico onde, todo santo dia, na alvorada e no crepúsculo, oferecia incenso e os reverenciava. Após o matrimônio, exigiu da esposa que cumprisse os mesmos preceitos.
Aborrecida da tediosa liturgia, certo dia a mulher aproveitou a ausência do marido para, com uma agulha, espetar a mão de uma das imagens. Sem maldade, apenas para espantar o tédio. Porém, eis que da mão começou a porejar sangue.
Ding Lan regressou e, como de costume, deteve-se diante das estatuetas dos ancestrais para cultuá-los, momento em que percebeu em uma os olhos marejados. Maravilhado, aproximou-se e, após breve inspeção, descobriu o gotejamento de sangue da pequenina mão de madeira. Exigiu uma explicação da esposa, que envergonhada admitiu o gesto repreensível.
Furioso, Ding Lan a insultou, expulsou-a de casa e exigiu o divórcio.
as estatuetas dos pais
entalhadas como se vivos
atentem-se, bons filhos e filhas
cuidem dos pais enquanto possível

Imagem: Teiran 丁蘭
Série: Morokoshi nijushiko 唐土廾四孝 (1848)
Artista: Utagawa Kuniyoshi 歌川国芳 (1798-1861)
Imagem: Teiran 丁蘭
Série: Morokoshi nijushiko 唐土廾四孝 (1853)
Artista: Utagawa Kuniyoshi 歌川国芳 (1798-1861)




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