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Lua vai


Em uma das cenas noturnas mais famosas da obra de Kawase Hasui, a gorda lua resplandece por entre as nuvens e os galhos de um pinheiro desproporcional. A paisagem é campestre. Nela, constam um campo cultivado e uma residência tradicional com telhado de colmo, cujo brilho opaco da lanterna acesa concorre de forma desigual com o da lua no céu.

A localidade é Magome-juku 馬籠宿, quadragésima terceira das sessenta e nove paradas da Nakasendo 中山道, também conhecida por Kisokaido 木曾街道, antiga estrada de 534 quilômetros de extensão que conectava Quioto a Edo. Junto com a Tokaido 東海道, a Koshukaido 甲州街道, a Oshukaido 奥州街道 e a Nikkokaido 日光街道, tratava-se de uma das cinco principais vias terrestres do período Edo 江戸時代 (1603-1868).


Hasui foi um dos principais expoentes do shin-hanga 新版画, novas xilogravuras, movimento que exumou o ukiyo-e 浮世絵 ao preservar o sistema de produção tradicional, em que artista, entalhador, impressor e editor colaboravam na feitura das estampas. As cenas nostálgicas de um Japão idílico exibidas revelam a forma como os artistas apreendiam o entorno em meio ao turbilhão de transformações que assolava o país. Aproximadamente 70% das estampas shin-hanga apresentam lugares plácidos e oníricos, saudosas recordações das raízes rurais nipônicas e da acolhedora arquitetura em madeira substituída, em Tóquio e outras metrópoles, pelo impessoal concreto.


Título: Magome no tsuki 馬込の月 (1930)

Artista: Kawase Hasui 川瀬巴水 (1883-1957)


postagem em parceria com @pictures_of_the_floating_world

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