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Uma artista performática passa de porta em porta com seu shamisen 三味線 atendendo a pedidos do público. Em troca, recebia um singelo obrigado, um punhado de moedas ou um prato de comida. A moça cobre a cabeça com uma toalha multiuso tenugui 手拭. Enfiada na faixa de cintura obi 帯, a bolsa vermelha também servia para prender o shamisen, tangido com uma palheta cujo formato é inspirado na folha de ginkgo.

Nativo da China, o ginkgo é uma planta ancestral, com fósseis que retrocedem 270 milhões de anos. Sua tenacidade pôde ser comprovada durante a Segunda Guerra Mundial, ocasião em que seis espécimes sobreviveram à explosão nuclear na cidade de Hiroshima 広島市, em 1945, o que garantiu ao ginkgo vaga nas hibaku jumoku 被爆樹木, árvores que resistiram às bombas atômicas. Não é pouca coisa: o calor emitido próximo ao epicentro nos segundos iniciais subsequentes à explosão foi quarenta vezes maior que o do Sol. As plantas foram carbonizadas, porém suas partes subterrâneas, que não sofreram danos diretos, conseguiram persistir.

O xintoísmo 神道 venera o ginkgo, considerado símbolo de saúde, resistência e longevidade, e também esperança e fertilidade. Em formato de leque, as folhas do ginkgo são ímpares, razão para sua ampla presença em pinturas, poemas e brasões familiares. A partir do período Edo 江戸時代 (1603-1868), passaram a figurar em catanas, cerâmicas, joias e quimonos, assim como nos penteados de samurais e lutadores de sumô. O símbolo da cidade de Tóquio é uma folha de ginkgo.

Título: Gogo juniji 午後十二時

Série: Mitate chuya nijuyo ji no uchi 見立昼夜廿四時之内 (1890)

Artista: Toyohara Kunichika 豊原国周 (1835-1900)

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