top of page

Cirurgia no braço de Guan Yu

20 de dez. de 2025
1 min de leitura

Imagem inspirada no clássico da literatura chinesa Sangokushi 三国志, Romance dos três reinos, bastante popular no Japão nos séculos 18 e 19.

Certa feita, o general Guan Yu, sujeito homem, teve o braço direito atravessado em combate por uma flecha. Vida que segue. Contudo, apesar da ferida haver cicatrizado, o osso — úmero, rádio ou ulna — latejava e doía sempre que havia precipitação de chuva.

“A ponta da flecha estava envenenada, e o veneno se infiltrou no osso. Existe cura, mas não será nada agradável: deverei fazer uma longa incisão no braço e raspar a parte contaminada”, diagnosticou o médico.

Guan Yu recusou o uso de anestésicos, que o induziriam ao sono e o tornariam vulnerável a uma possível investida do inimigo. O doutor então sugeriu que o general amarrasse o braço a uma pilastra, afinal a agonia tamanha poderia fazê-lo mover o membro e interferir no procedimento. “Bobagem”, respondeu Guan Yu. “Trata-se de uma intervenção simples, não há necessidade.”

Em seguida, estendeu o braço e ordenou ao médico que iniciasse a cirurgia. Na ocasião, encontrava-se na companhia de outros comandantes, com quem partilhava uma lauta refeição e se distraía com um jogo de go. Ao testemunharem a tigela se enchendo do sangue que jorrava em cascatas e escutarem o terrível som do osso sendo raspado, os presentes viraram o rosto, as feições contorcidas de agonia.

Guan Yu, por sua vez, manteve-se como se nada — bebeu vinho e petiscou enquanto movia as peças no tabuleiro. Macho alfa.

 

Imagem: Kan’u kappi zu 関羽割臂図

Artista: Katsushika Oi 葛飾応為 (c. 1800-1866)

Comentários


bottom of page