A ostra


Com jeito sapeca, a mergulhadora oferece um molusco rosado enquanto apoia o cotovelo no balcão de um izakaya 居酒屋imaginário. Embora a imagem não possa ser catalogada como arte erótica shunga 春画, ela obviamente faz brotar pensamentos lascivos e canções do Agepê.

Popularizadas como ama 海女, as mergulhadoras existem no Japão desde antes de Cristo. Seu ofício consistia em coletar mariscos, pérolas e algas marinhas por toda costa do arquipélago. Rezava a tradição que, à exceção de uma faixa de tecido amarrada à cintura, elas deveriam mergulhar nuas, trazendo à mão uma faca com a qual penetravam as conchas e, num movimento de alavanca, conseguiam abri-las. No passado, as ama chegavam aos milhares, contudo, no início do século 21, são poucas as que insistem na profissão. Apesar de invariavelmente representadas jovens no ukiyo-e 浮世絵, uma mergulhadora era capaz de trabalhar para além dos 50 anos de idade.

As ama eram famosas pelo comportamento grosseiro, que refletia suas peles escuras e ásperas, em contraste com as gueixas e cortesãs que imperavam no mercado das xilogravuras — jovens de gestos refinados e roupas elegantes, imersas não em águas salgadas, mas na cultura metropolitana, o que as possibilitava impor altos cachês aos serviços oferecidos.

Apesar de consideradas menos femininas, as mergulhadoras, em compensação, não estavam presas a amarras sociais e sexuais.


Artista: Kitagawa Utamaro 喜多川歌麿 (1753-1806)


postagem em parceria com @pictures_of_the_floating_world

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