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O seppuku, por William Shakespeare

23 de jun. de 2025
1 min de leitura

Ser ou não ser, eis a questão.

O que é mais nobre? Sofrer na alma

as flechas da fortuna ultrajante

ou pegar em armas contra um mar de dores,

pondo-lhes um fim? Morrer, dormir,

nada mais. E por via do sono por ponto final

aos males do coração e aos mil acidentes naturais

de que a carne é herdeira, num desenlace

devotadamente desejado. Morrer! Dormir, dormir,

dormir, sonhar talvez: mas aqui está o ponto de interrogação.

Porque no sono da morte, que sonhos podem assaltar-nos

uma vez fora da confusão da vida?

É isso que nos obriga a refletir: é esse respeito

que nos faz suportar por tanto tempo uma vida de agruras.

Pois quem suportaria as chicotadas e o escárnio do tempo,

as injustiças do opressor, as afrontas dos orgulhosos,

a tortura do amor desprezado, as demoras da lei,

a insolência do oficial e os pontapés

que o paciente mérito recebe do incompetente

quando o próprio poderia gozar da quietude

dada pela ponta de um punhal? Quem tais fardos suportaria,

preferindo gemer e suar sob o peso de uma vida fatigante,

a não ser pelo medo de algo depois da morte,

esse país desconhecido de cujos campos

nenhum viajante retornou, e que nos baralha a vontade

e nos faz suportar os males que temos,

em vez de voar para o que não conhecemos?

Assim a consciência nos faz a todos covardes

e assim as cores nascentes da resolução

empalidecem perante o frouxo clarão do pensamento,

e os planos de grande alcance e atualidade

por via desta perspectiva mudam de sentido

e saem do reino da ação.

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