Itinerantes


Um vira-lata pequeno, mas escandaloso, atrapalha a performance de dois komuso 虚無僧, sacerdotes do vazio, monges mendicantes da escola Fuke 普化宗 do zen budismo 禅, que floresceu durante o período Edo 江戸時代 (1603-1868) e cujos adeptos eram conhecidos por tocar flautas de bambu shakuhachi 尺八. As composições, denominadas honkyoku 本曲, eram executadas para curar enfermidades, alcançar a iluminação, despertar a compaixão que proporciona esmolas e durante práticas meditativas conhecidas por suizen 吹禅. Os komuso vestiam tengai 天蓋, chapéus de palha trançada que cobriam por completo a cabeça, similares a cestos virados ou colmeias de abelha. A prerrogativa era a de que, com os tengai, os egos seriam removidos.

O que o chapéu também oferecia era sigilo. Impossível saber a identidade dos seus usuários, razão pela qual o xogunato permitia aos komuso livre acesso a todo o território japonês. Isso porque parcela dos monges atuava como informante para o governo central — ou, ao contrário, espiões a serviço dos mandatários Tokugawa se disfarçavam de sacerdotes mendicantes em busca de possíveis insurreições.


Série: Showa shokugyo ezukushi 昭和職業絵尽 (c. 1950)

Artista: Wada Sanzo 和田三造 (1883-1967)


postagem em parceria com @pictures_of_the_floating_world

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