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Vista número 12: tanabata


O universo estava em formação. Enquanto Tenno 天王 — o soberano celestial, dono da porra toda — cuidava de moldar os planetas e lapidar as estrelas, pendurando-os no firmamento para criar constelações, encarregou sua filha Orihime 織姫, tecelã de mão cheia, de bordar as nebulosas. Obediente, a moça trabalhava em ritmo fabril e, ao perceber na filha sinais de burnout, Tenno permitiu que espairecesse algumas horas na Amanogawa 天の川, Via Láctea.

Orihime vestiu um maravilhoso quimono de mangas longas furisode 振袖, reservado às moças solteiras, e dançou pela galáxia até se deparar, no centro da espiral, com um belo rapaz sem camisa a banhar um boi, o suor resplandecendo no torso musculoso e viril. Ê lá em casa. Tratava-se de Hikoboshi 彦星, por quem Orihime se apaixonou num estalar de dedos, esquecendo por completo o trabalho de tecedeira. Quem nunca? Preocupado, Tenno partiu no encalço da filha e, ao encontrá-la no oba-oba, proibiu-a de rever o rapaz. A moça retornou ao tear, porém triste e abatida. Mal se alimentava, o coração uma bola de meia. Então, compassivo, o soberano permitiu que a jovem se encontrasse com Hikoboshi uma vez ao ano, no dia sete do sétimo mês.

Nascia o Tanabata, em que Orihime personificaria a estrela Vega, o astro mais brilhante da constelação de Lira, e Hikoboshi incorporaria Altair, a estrela mais resplandecente da constelação da Águia.


A partir da década de 1830, as decorações para o festival das estrelas se tornaram sinônimo de ostentação na capital Edo 江戸. Longas varas de bambu eram presas com cordas nos telhados das residências e, na ponta, amarravam-se galhos verdes da mesma planta, onde eram penduradas folhas de papel com poemas exaltando o amor de novela de Orihime e Hikoboshi.


Título: Tanabata no Fuji 七夕の不二

Série: Fugaku hyakkei 富嶽百景 (1834)

Artista: Katsushika Hokusai 葛飾北斎 (1760-1849)

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