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Dr. Bodysuit


Se a tatuagem é uma forma de arte, haveria um jeito de exibi-la? Colocar um monte de homem e mulher pelado numa galeria, os xibius e as xibatas à mostra? É uma alternativa, porém limitada pela finitude natural da vida. Ao morrer, o tatuado leva consigo o desenho ao túmulo.

Até que um médico rompeu as barreiras do tempo.

Trata-se do patologista Fukushi Masaichi 福士政一 (1878-1956), cujo interesse pelo tema surgiu quando pesquisava a formação de sinais de melanina na pele, um processo bastante similar ao modo como o corpo absorve as tintas das tatuagens. No decorrer dos estudos, Masaichi desenvolveu um método pelo qual era possível preservar as peles e manter intactos os detalhes dos desenhos.

Assim, em 1926, o bom doutor iniciou sua coleção. Ao falecer três décadas depois, as peles foram não apenas preservadas, mas ampliadas por seu filho Fukushi Katsunari 福士勝成 (1917-), alcançando um total de cento e cinco bodysuits. Mas, calma. Não se tratava de uma família de violadores de túmulo fãs de Evanescence — as peças eram adquiridas com a permissão dos respectivos doadores. A documentação referente aos itens acabou destruída nos inúmeros bombardeios aliados durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), porém o acervo, conservado por Katsunari, acabou cedido ao Departamento de Patologia da Universidade de Tóquio, onde permanece até os dias atuais.

Quando em exposição, os itens são dispostos de dois modos: estruturados como manequins ou achatados em formato bidimensional. Apesar de a coleção oferecer muitas possibilidades para a análise de técnicas e estilos, ainda peca em apresentar as tatuagens de forma satisfatória. Similar a um traje, o bodysuit oferece diferentes percepções dependendo da movimentação do indivíduo, em uma composição dinâmica cuja apreciação plena exige um corpo ainda vivo.

É voltar pra sugestão do monte de homem e mulher pelado numa galeria.


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