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Amor além da vida


Na xilogravura de Kitagawa Utamaro, mestre das bijinga 美人画, imagens de moças bonitas, invadimos a intimidade de um dos casais mais trágicos do Japão, Osan おさん e Mohei 茂兵衛. Amantes desafortunados, aliás, eram tema recorrente no cabúqui 歌舞伎, assim como nos teatros de bonecos ningyo joruri 人形浄瑠璃 e bunraku 文楽, onde parcela significativa das peças do gênero eram adaptações de fatos verídicos.

Na cena, uma alegre Osan festeja de forma sutil: os olhos cintilam, a língua estala de satisfação e os dedos delgados tamborilam uns nos outros. A jovem admira a inscrição na parte interna do braço de Mohei: Osan inochi おさん命. Osan para sempre. Uau. Tal categoria de tatuagem, denominada irebokuro 入れ黒子, sinalizava o compromisso entre amantes passionais. Michael Douglas meets Fábio Jr. Nos primórdios, resumia-se a um único ponto discreto na mão, porém evoluiu para sílabas e ideogramas.

Romantizado nos palcos e na literatura popular, no mundo real dos distritos dos prazeres o irebokuro costumava ser um fardo exclusivo das mulheres, imposição de clientes possessivos a quem o amor era apenas mais um objeto de consumo.


Imagem: Osan Mohei おさん茂兵衛

Série: Jitsu kurabe iro no minakami 実競色乃美名家見 (1798-1799)

Artista: Kitagawa Utamaro 喜多川歌麿 (1753-1806)

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