A hora do coelho: 6h às 8h

Atualizado: 13 de set. de 2021


A cortesã acompanha a partida do cliente. Trata-se de um Grande Gastador, indicado pelo casaco haori de fina seda com forro pintado à mão exibindo a figura do bodisatva Darumá. Durante o período Edo (1603-1868), foram promulgadas diversas leis restringindo o esbanjar de dinheiro e a ostentação de roupas extravagantes, então uma alternativa para os abastados dândis era investir nas partes ocultas das vestimentas. Ereta, a prostituta parece ansiosa para se ver livre do homem, retornar para a cama e aproveitar as últimas horas que lhe restam de sono. Apesar da expectativa, seu rosto se mantém sereno, como se prestes a dizer palavras amáveis ao cliente, de modo a impeli-lo a voltar em breve para os seus braços.

Era na hora do coelho que se iniciavam os diversos sons da manhã: o crocitar dos corvos, o reverberar dos sinos dos templos, a cacofonia dos vendedores ambulantes. Nos bordéis, os salões e os corredores estariam uma bagunça, com travessas de ponta-cabeça e objetos espalhados pelo chão, além de restos de comida e pilhas de lenços higiênicos usados.


Título: A hora do coelho / 卯の刻, u no koku

Série: 12 Horas nos Bordéis / 青楼十二時続, Seiro junitoki tsuzuki (c. 1794)

Kitagawa Utamaro 喜多川歌麿 (c. 1753-1806)

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